Pioneiro relembra desafios e conquistas na construção de Alta Floresta
Lindomar Leal
Assessoria de Imprensa
Câmara Municipal
A série especial de entrevistas promovida pela Câmara Municipal em homenagem aos pioneiros e desbravadores dos 50 anos de fundação de Alta Floresta trouxe à memória histórias de coragem, trabalho e superação. Entre elas, a trajetória do pioneiro Braulino Antonio de Oliveira, que chegou ao município em setembro de 1976 ao lado da família, em busca de uma nova oportunidade de vida.
Natural do Paraná, Braulino conta que a decisão de migrar para o norte de Mato Grosso aconteceu em meio às dificuldades enfrentadas com as geadas que castigavam os cafezais da região onde viviam. Segundo ele, a mudança aconteceu após um vizinho, Manuel Parra, adquirir terras em Alta Floresta e convidar a família para tentar a vida no novo município.
A viagem até Alta Floresta foi longa e difícil. “Nós viemos igual um tipo de pau de arara. Cinco dias de viagem”, conta. Ao chegarem, encontraram uma realidade completamente diferente da que conheciam no Sul do país.
A família, formada pelos pais e sete irmãos, iniciou o cultivo de café utilizando as técnicas aprendidas no Paraná. “Plantamos 18 mil pés de café”, recorda Braulino. Porém, as condições do solo e do clima eram diferentes, e os resultados não foram os esperados. “A gente se enganou”, afirma ao lembrar das dificuldades enfrentadas na produção agrícola.
Mesmo diante das limitações, o trabalho era intenso. A rotina era dividida entre a lavoura e os poucos momentos de lazer, quase sempre dedicados à pescaria. “Final de semana, nós pescávamos. Era o único divertimento.”
Naquela época, Alta Floresta ainda dava os primeiros passos. Braulino lembra que praticamente tudo se concentrava nas estruturas iniciais da Indeco, empresa colonizadora responsável pela implantação da cidade. “Quando nós chegamos, só tinha mesmo a Indeco, o restaurante da entrada e as casinhas da Indeco perto do aeroporto.”
Com o passar do tempo e as dificuldades financeiras no campo, a família decidiu migrar para a área urbana. Braulino e os irmãos passaram a trabalhar na construção civil e participaram diretamente de importantes obras da cidade.
“Trabalhamos na construção do Banco do Brasil. Estava no alicerce até terminar”, relata.
Posteriormente, Braulino conseguiu emprego na base da Shell instalada no município, onde trabalhou durante 13 anos. Nesse período, realizou diversos cursos de capacitação em vários estados do país e recebeu reconhecimento profissional. “Ganhei a concha de ouro da Shell com 10 anos de trabalho.”
Além da dedicação ao trabalho, o pioneiro também construiu fortes laços de amizade por meio do esporte. Apaixonado por futebol, participou de equipes tradicionais da época e acompanhou o crescimento das competições esportivas na cidade.
Ao recordar as dificuldades enfrentadas pelos primeiros moradores — como a lama, a ausência de infraestrutura, os mosquitos, as longas viagens e o isolamento — Braulino destaca a coragem necessária para permanecer no município nos primeiros anos de colonização.
“Hoje eu vejo um progresso aqui, é coisa muito bonita, muito linda. Me sinto orgulhoso. Muito orgulhoso.”
Aos 70 anos, aposentado e cercado pelas lembranças construídas ao longo de cinco décadas em Alta Floresta, Braulino afirma não ter vontade de deixar a cidade que ajudou a construir.
“Alta Floresta, valeu a pena.”
Ao final da entrevista, ele deixou uma mensagem à juventude alta-florestense, incentivando os jovens a estudarem, trabalharem e contribuírem para o crescimento do município.
“O que eu peço pra essa juventude é seguir um caminho bonito, jogar bola, estudar, fazer curso. Porque a força tá neles, na juventude.”